Ao mesmo tempo que aumenta a consciência de alimentar-se bem, a comida fast food ou basura continua resistindo e muitas vezes ganhando batalhas seja nos bares das escolas, seja nas lanchonetes. Talvez, por desespero ou loucura ou genialidade o cardiologista Darrel Francis propoe uma soluçao: acrescentar remédios que beneficiem o coraçao nos produtos como a hamburguesa nos restaurantes de comida rápida. Diante desta polêmica na classe médica, a Dra. Lúcia Gugelmin, membro da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia, formada pela Universidade Federal do Paraná defenderá seu ponto de vista desta controvérsia de pôr estatina nas lanchonetes e realiza uma análise do comportamento do brasileiro no campo alimentar.
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| Dra. Lúcia Gugelmin no consultório em Curitiba. |
P - Todas pesquisas coincidem, a comida fast food ou basura faz mal para saúde. Aumenta o colesterol, pode provocar asma para as crianças e afeta a vida sexual. Doutora Lúcia Gugelmin, mesmo assim o consumo nao baixa, por que?
R - Bem, Alexandre.O consumo não abaixa, porque é uma comida relativamente barata, que satisfaz a voracidade das pessoas, e também pelo forte marketing em cima deste tipo de alimentação rápida. Não só aumenta os niveis de gorduras, mas também (o que é mais preocupante) o peso, podendo levar a quadros de DM (Diabetes Mellitus), Síndrome Metabólica, mesmo em crianças, e, aumentando o teor de sal, elevar a Pressão Arterial e assim por diante. As pessoas tem pressa, deixaram de lado a convivência com a família nas horas das refeições. O tempo e o dinheiro para uma refeição mais adequada, está acabando, à medida em que aconteceram as globalizações.
Se por um lado existe todo um apelo comercial,de sedução através de campanhas publicitárias milionárias, este tipo de alimentação também está a todo vapor mesmo nas casas das pessoas,que muitas vezes preferem a comodidade de uma comida pedida pelo telefone, ou mesmo as preparam com facilidade em seus lares.Também é junkfood, alimentos cheios de gorduras, molhos e sal, que são compradas nos supermercados e são descongeladas pelo microondas.
Entre os jovens ,em geral, não existe a preocupação com a qualidade do que come, e sim, com a sua aceitação ao seu grupo. Afinal nesta idade é igualmente importante pertencer! Quem não se adere aos modismos de sua geração, é, em geral excluido, se sente diferente dos demais, e nesta fase da vida isto incomoda, e muito.
Temos, do outro lado, os costumes de cada casa. O que os pais ou responsáveis, acreditam que seja o melhor para os filhos? Como eles se comportam em termos de alimentação e bons hábitos de saúde? Será que estes pais também tiveram em sua formação,condições econômicas ou bons exemplos para seguir? Será que algum dia foram aconselhados da forma correta da preparação dos alimentos,ou em como alimentar seus filhos desde recém-nascidos?
P - A batalha contra a comida basura está perdida?
R - Com certeza não, as pessoas hoje estão cada vez mais conscientes e preocupadas com o que vem acontecendo às pessoas,ao longo dos últimos anos.A incidência de doenças sérias,que,em teoria,poderiam começar já na fase adulta, vem acontecendo nas faixas etárias mais precoces. Existem posicionamentos inclusive da Sociedade Brasileira de Pediatria, e da nossa Sociedade, em implementar ações alerta, de orientações básicas para uma alimentação equilibrada e sadia para as crianças, e mesmo no meio adulto, trabalha-se no dia a dia muito com prevenção.
Dificilmente um adulto hoje, que esteja com sobrepeso, ou obeso, ou diabético, ou tenha hipertensão, ou mesmo alterações nos lipideos, sairá de um consultório particular, ou mesmo do SUS, sem uma orientação nutricional, somada ao aconselhamento de fazer atividades físicas pelo menos suave todos os dias.
Mas todos também sabemos, que, o mais difícil de se conseguir êxito são em relação aos hábitos, que muitas vezes vem ao longo de gerações. E, convenhamos que falta tempo: as pessoas hoje tem um dia extenuante entre o trabalho e o deslocamento nas grandes cidades, tem seus afazeres domésticos, pouco lazer, e querem chegar em casa, ao final do seu dia, e relaxar. Pena que em geral, comendo bastante e mal.
P - Um cardiólogo chamado Darrel Francis propoe uma soluçao radical: acrescentar remédio, estatina, para proteger o coraçao nos xis ou hamburgues nas lancherias. Dentro do seu ponto de vista, é loucura ou genialidade?
R - Bem, não deixa de ser um pensamento interessante, porém, acredito que inviável, já que, além de serem necessárias pesquisas, quanto a palatabilidade, ou mesmo se a estatina seria ou não destruida após o aquecimanto ,é uma substãncia que tem suas contraindicações, e não pode ser usada em todas as faixas etárias, salvo em algumas situações bem específicas.
P - A proposta que é pôr estatina parece que tem uma divergência na classe médica dentro do campo pedagógico em razao que pode criar uma sociedade despreocupada com os hábitos saudáveis.
R - Bem, a verdade é que as estatinas tem as suas indicações, e para a faixa etária infantil e na adolescência, só está indicada na forma da atorvastatina, e ainda por cima, em condiçoes de doenças genéticas raras.
Nenhum remédio será capaz de substituir os hábitos alimentares saudáveis e a atividade fisica regular.
P - Ao mesmo tempo que esta proposta nao é pedagógica, pode-se argumentar que evitaria o paciente solicitar uma consulta médica. As estatinas num uso frequente sao eficazes?
R - As estatinas, são medicamentos usados para inibir a sintese do colesterol ao nivel hepático. São altamente eficazes naqueles pacientes que tem disturbios do colesterol( dislipidemias). Tem efeitos colaterais, como aumento das enzimas hepáticas (transaminases), podem causar cansaço intenso, por aumento de uma enzima chamada CPK (levando a uma doença séria chamada rabdomiólise)
Outros efeitos vão desde enjôo, ou mesmo insônia. Tem indicações nas faixas etárias mais jovens, porém com muitos cuidados, como citei acima.
Quanto a evitar ir ao médico, aí seria uma escolha não muito boa, porque periódicamente os níveis de colesterol, da função hepática e renal, precisam ser avaliados para que o tratamento seja feito de modo seguro.
P - Este tema que estamos tratando de colocar remédio nos hamburgues vem ao encontro que cresce uma sensaçao social sobre os efeitos nocivos da comida basura. Dra. Lúcia, o que Estado brasileiro tem feito a este respeito, principalmente nas escolas?
R - Existem orientações sim,mesmo ao nivel governamental,em relação por exemplo,a merenda escolar. Há campanhas para uma alimentação melhor e mais saudável, através da nossa Sociedade de Endocrinologia e Metabologia, porque as crianças estão ficando a cada dia mais doentes, e os adultos também. Mas existe com força quase igual uma resistência grande dos adultos,q ue não querem "privar" os seus filhos ou eles mesmos de nada. Ações políticas para a prevenção da obesidade, como a regulamentação do marketing de alimentos, restrições na alimentação escolar e monitoramento das tendências de obesidade, entre outras, levaram a International Obesity Taskforce (IOTF) a enviar uma carta de congratulação ao governo brasileiro. De acordo com a entidade, o Brasil, juntamente com a Inglaterra, lidera a lista de países que mais lutam contra a obesidade.
De acordo com o texto, “se outros países seguirem a direção tomada pelo Brasil, teremos muitas outras boas notícias para apresentar nas próximas conferências sobre prevenção da obesidade”. A carta ainda agradece o país por fazer “a diferença para a população brasileira, especialmente para as crianças e adolescentes, para os quais a sociedade tem especial responsabilidade” e se coloca à disposição para auxiliar na prevenção da doença crônica.
Para o Dr. Walmir Coutinho, futuro presidente da International Obesity Federation (IOF), a carta é motivo de orgulho para o país, especialmente para as sociedades de Endocrinologia. “As entidades têm trabalhando bastante nos últoms anos no combate a obesidade, dado o suporte necessário para que essas ações fossem realizadas”, afirma.

Excelente e esclarecedora esta entrevista. Parabéns Ale e a Dra Lúcia.
ResponderExcluirIvana Werner
Parabéns pela entrevista, é importante focar este assunto, já que hj está cada vez mais forte alimentos industrializados e o aumento da obesidade entre jovens e crianças.
ResponderExcluirbjo.
Helena
Minha sogra não pode tomar esse remédio a base de cevastatina (baixa o nível do colesterol) porém ela provoca sintomas desagradáveis.
ResponderExcluir"Se correr o bicho pega se ficar o bicho come...é assim mesmo o ditado?" kkkk
Alex visite meu blog...têm selinho pra você; é só pegar!
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