O convidado desta semana do Blog Alex Cruz está acostumado a conviver com identidades diversas. Um espanhol em terra brasileira e um brasileiro na Península espanhola. Talvez, carregue as dúvidas hamletianas, no entanto, não furta o arrojo, a ousadia e é dotado de grande percepção. Psicólogo, fotógrafo, escritor, especialista na área de marketing e um dos pioneiros da internet comercial José Sanchez responde ao Blog Alex Cruz sobre marketing, twitter, as tendências no mundo tecnológico. Tenham uma boa leitura.
| José Sanchez é entrevistado desta semana. |
P - A rede social Twitter fez aniversário. Completou cinco anos. Possui, no momento, 200 milhões de usuários e está a cada dia não só ganhando mais seguidores como provocando uma revolução de costumes. As classes artística, política e empresarial deixam de lado os intermediários e se convertem em emissores da notícia. Exemplos não faltam, como a notícia que Bryan Adams postou que será pai ou a separação de Elisabeth Hurley. A comunicação bidirecional é o segredo do sucesso do Twitter?
R - Sem dúvida. As pessoas têm um desejo latente de se comunicar umas com as outras ou se comunicar com um público específico, no caso de artistas e celebridades, isso representa a possibilidade de se “distribuir” como “produto” e, ao mesmo tempo, como pessoa, gente como a gente. Em contrapartida, o público se sente integrado na vida e no cotidiano do seu ídolo ou “personagem” que, nesse caso tem presença “real”, não é algo fictício ou inatingível. Logo, eu diria que além do aspecto bidirecional (interatividade) da comunicação, há uma troca importante de “energia” entre um perfil (entenda-se, personagem) e o público que o “segue” e assim, se sente parte integrante da vida do personagem que está sendo seguido. Apenas uma observação sobre os 200 milhões de usuários do Twitter: muitos perfis são “fake’s”, ou sejam, não são na realidade quem dizem ser.
P - Dentro do tema de redes comerciais, as empresas tem implantado estratégias para tirar proveito deste grande filão que tem sido o Twitter. Na sua avaliação, o Twitter está revolucionando o marketing? Há como quantificar os benefícios que as empresas estão obtendo?
R - Não é o Twitter que está revolucionando o Marketing e sim as “redes sociais” num sentido amplo. O Twitter tem as suas peculiaridades, assim como outras redes, talvez a principal delas seja o fato de que integra “seguidores” num processo de comunicação fluído que, pela determinação restritiva das mensagens (limite de 140 caracteres) permite maior número de acessos que propiciam aos usuários a possibilidade de filtrar grande número de informações. Logo, o Twitter é um “grande mural de headlines” que o transformam em “ponto de partida” para um conjunto maior de informações relevantes. Esse é o grande barato do Twitter: a objetividade e a facilidade de uso de filtros por parte dos usuários, além do modelo de distribuição e propagação. Os resultados para as empresas, dependem de como elas podem desviar o fluxo de visitas para repositórios “inteligentes” de informação mercadológica. A questão, nesse caso, não é propriamente os benefícios de uma estratégia baseada em Redes Sociais mas sim, o fato de que se uma empresa não tem presença nesse ambiente, certamente está perdendo espaço pra quem lá está. Estar lá e não saber utilizar a linguagem correta e explorar o potencial é o mesmo que não estar.
P - Esta proximidade dos artistas, esportistas, enfim de pessoas "famosas" em termos de mídia com o cidadão comum, através das redes sociais parece ser uma grande jogada publicitária. Estamos a ponto de as empresas pagarem incentivos aos seus patrocinados por cada cinco mil seguidores no Twitter?
R - Sem dúvida. Veja o caso do Artista Global, Luciano Hulk que está próximo da marca de 3 milhoes de seguidores (entenda-se que um seguidor se relaciona, em rede, com centenas de outras pessoas e que muitas redes são integradas como por exemplo o twitter se integra com o Facebook, o que representa uma possibilidade de propagação fenomenal). Essa rede descomunal interfere absolutamente na audiência do programa televisivo “Caldeirão do Hulk”, o que representa possibilidades extraordinárias de merchandising e retorno para os patrocinadores. Redes são elementos exponenciais de propagação de marcas e produtos, com inúmeras vantagens, como essas relações tem nome e sobrenome, representam um potencial de consumo fantástico: basta verificar as estatísticas de como as sugestões de consumo são influenciadas pelo simples contato entre pessoas pertencentes a grupos mas que obviamente não se conhecem e nunca se viram pessoalmente.
P - Sanchez, no seu artigo Integração em Rede, o senhor afirma que a tecnologia perdeu um pouco da sua importância relativa, por ser gratuita, principalmente nas redes sociais. Na sua opinião esta é uma medida temporária ou vai permanecer? Ou seja, esta festa da gratuidade um dia acaba?
R - Na verdade, no meu artigo, eu defendo que a “banalização” das tecnologia, sendo oferecidas “supostamente” de graça, favoreceram a adesão de milhões e milhões de pessoas às Redes Sociais. Mas como diz o ditado “não existe almoço grátis”, tecnologia é algo caro: imaginem quanto custa ao Google os milhares de Servidores que indexam continuamente esse volume extraordinário de informações existente na web? Ou quando custa armazenar volumes extraordinários de imagens dentro do Facebook ou de vídeos dentro do Youtube? Obviamente que isso está atrelado a um modelo de receitas que tem no seu bojo a industria de bens de consumos oferecidos por modelos de publicidade, cada vez mais contextuais. O Google, por exemplo, levou alguns anos amargando prejuízos até encontrar o caminho (na verdade a idéia) das receitas que, no caso dele não foi nada mais simples do que se posicionar como um modelo de “paginas amarelas” na web. O Facebook e o Twitter apostam, cada vez mais, no monitoramento do comportamento dos seus usuários: isso é o que podemos realmente chamar de “Big Brother”- Sorria e comporte-se: VOCE ESTÁ SENDO MONITORADO!
P - Realmente prever tendências é um assunto complicado, pois qualquer tendência está intimamente relacionada com as mudanças e evoluções do comportamento humano. O próprio Bill Gates, em um determinado momento, afirmou que a internet não era prioridade para a Microsoft. Dentro do seu ponto de vista esta revolução está no campo social do comportamento humano? Como por exemplo as revoltas que têm ocorrido nos países arábes através do facebook e Twitter?
R - Na verdade, como psicólogo, não acredito que as pessoas estão mudando. O comportamento está relacionado a tecnologias que permitem que as pessoas exercitem ou assumam atitudes que sempre estiveram latentes no ser humano. Ou seja, conhecendo o ser humano e sabendo das tecnologias que “vetorizam” os contatos e projeções comportamentais, temos os indícios ou sinais do vem que pela frente. O que eu quero dizer é: todas as mudanças importantes da nossa história, projetaram sinais no ambiente antes de acontecer, pois são processos. Alguns tem mais perspicácia e percepção para se posicionar fazendo uma correta leitura de tais sinais. O problema é que hoje esse processo adquiriu altíssima velocidade pela própria propagação da informação e da inteligência humana compartilhada em rede. É preciso ser bem rápido ou, como eu disse em meu artigo: é preciso ser “neural”.
P - Sanchez, o senhor como um usuário assíduo de Redes Sociais, também dedica-se à fotografia. Como é possível, na sua opinião, encontrar este equilíbrio entre o objetivo e o subjetivo, entro o "mundo virtual" e o "mundo real"? Dentro do seu ponto de vista, este mundo virtual é a sociedade pensando em voz alta?
R - Como psicológo por formação e com uma certa orientação Junguiana, nunca foi tão perceptível a existência de um “inconsciente coletivo”. Real e Virtual, como a eterna dualidade do Young e yin, são partes de um mesmo todo integrado. As redes materializam isso de uma forma extraordinária e as pessoas, mesmo de forma inconsciente, assumem comportamentos que unificam essas duas “realidades”. O fato de viver um conjunto de relações “virtuais” representa oportunidades concretas no mundo Real. Tenho-me relacionado com pessoas extraordinárias que, possivelmente, jamais conheceria de outra forma. A soma de inteligências que vem desse processo de interação entre o mundo real e o mundo virtual é algo concreto, palpável e é algo já definido pela Gestalt, escola Alemã de psicologia que afirma: “A soma das partes é maior do que o todo”. Assim são as redes e por isso mesmo são um desafio ao estado de consciência humano, este sim, o grande beneficiado das relações que estamos vivendo na web e que nos permitem fazer um mundo melhor ou pior. A partir da rede temos que nos posicionar cada vez mais e definir de que lado estamos.
Obrigado, Alex.
ResponderExcluirFico feliz em poder contribuir para este canal de tão alta qualidade. Parabens pelo seu trabvaho, tambem!
Abs, Sanchez
Parabéns Ale e Sanchez pela excelente entrevista!!
ResponderExcluirIvana Werner