Passada a eleição deste domingo, a sociedade espanhola, através do Movimento 15M (também chamado de Democracia Real), deu um recado muito claro ao governo, salientando que o problema não foi a crise mundial e sim a forma como o mesmo enfrentou a crise. O governo de Zapatero negou a crise, depois adotou medidas paliativas e por último assumiu um duro ajuste imposto de fora. Além disso, dividiu os sacrifícios de uma forma desigual e injusta, afetando os mais vulneráveis.
Não foi por acaso que nasceu o 15M, que surgiu como resultado do voto do inconformismo em relação a tudo que está aí. Nunca na história espanhola houve um índice tão alto de votos nulos e brancos. Se o voto inconformista fosse um partido, seria a quarta força partidária na Espanha. Pela primeira vez, na era da internet, foram os cidadãos que se dirigiram aos políticos e não ao contrário. Cada vez mais as redes sociais têm sido fundamentais, como sucedeu nas revoltas dos países arábes, na coordenação e organização. Forçar mudanças num cenário político opaco, sem idéias para melhorar a vida do cidadão, somado à falta de lideranças, é possível acontecer via redes sociais atingindo as ruas. Um movimento que sacudiu o sistema. Um movimento que está pondo em cheque o atual sistema eleitoral vigente na Espanha e que não satisfaz mais a sociedade. E aqui, não é só discutir o fim do bipartidarismo e, sim, dar mais espaço para os demais partidos com o propósito de oxigenar o cenário político. Um movimento que conquistou corações e mentes com atitudes pacíficas diante do aparato repressor. Um movimento que sinaliza para os demais setores da sociedade uma forma de organizar anárquica, onde não existe um só líder e sim 56 porta-vozes que se dividiram de uma forma eficaz na organização da distribuição dos alimentos, limpeza, comunicação para o mundo exterior através da internet e, que elenca propostas como a eliminação dos privilégios da classe política, combate ao desemprego, direito à moradia, serviço público de qualidade, controle das entidades bancárias, imposto para grandes fortunas, liberdades cidadãs (um "não" ao controle da internet) e democracia participativa. Democracia real não abrange apenas os jovens e sim, adultos, imigrantes que estão indignados com a situação atual.
Aliás, se a internet ajudou no campo da organização, a fonte da inspiração cabe a uma obra literária que já é best seller denominada "Indignados" de Stephane Hessel, um livro que está despertando uma geração de indignados não só na Europa, como nos países arábes. Diante disso, a Democracia Real não irá parar e segue após a eleição, não só aqui como em outros países da Europa surgirão movimentos indignados diante da atual conjuntura. Um movimento que está indignado com a decadência do mundo atual, mediante uma sociedade injusta e a ditadura do mercado. Seja bem vindo à indignação que está se fazendo escutar em muitas partes do mundo. E que a classe política escute com seriedade!!
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