No último dia 16, o
Tribunal de Contas da União, por unanimidade absolveu a filha do ex presidente
da República, Fernando Henrique Cardoso,
do proceso de ser funcionária fantasma no Senado. De acordo com as informações, na época, Luciana Cardoso, declarou que não frequentava o local por
achar a casa uma “bagunça”. Este e mais
outros casos reaviva os limites do nepotismo.
A nomeação de familiares de político não é exclusivo do PSDB e tampouco
é ou será alguma novidade neste país. O
grande debate que deve ser feito é que transmite uma má imagen ao país, reduz a
produtividade da empresa pública e transmite uma idéia de patrimonialista de
Estado. O nepotismo é uma lacra que debe
ser erradicado nas empresas públicas.
De fato, o nepotismo é um problema muito
grave em razão que se transformou uma rotina na Administração do Estado. O que sabemos até o momento é uma ponta do
iceberg. A verdadeira dimensão podemos
encontrar nas Administrações periféricas. O amiguismo não se dá apenas nas estatais e sim
onde o Estado conserva uma
participação. Este é um problema que a classe
política brasileira possui num sentido muito
patrimonialista do Estado. A origen
deste problema é cultural. Um conceito
de familia, de lealdade muito arraigado na sociedade com a tendência de
proteger e favorecer os seus. Nos países
como Inglaterra a ética pública é muito forte.
No Brasil há uma idéia para chegar ao poder há que pertencer ao círculo próximo de quem manda. São jogos de poder , ou seja, tu está em
dívida porque ajudamos a
chegar ao poder. Portanto, obriga a ser leal. Como a reforma política está empacada, específicamente
no tema financiamento de campanha e a transparência ainda não é o ideal no nosso país, este tipo de postura favorece
negativamente a imagen.
Há um argumento comum que justifica a
contratação de um parente por sua
capacidade e preparação. Há que perguntar se não há outras saídas de emprego
que não seja prejudicial para todos. Nas
empresas privadas também existe esta
cultura de contratar parentes. Este tipo
de postura limita a motivação de
profissionais que pensam em seguir a carreira numa empresa.
Se um funcionario vê que seu chefe
contrata por motivo de parentesco
se frustam em decorrência que a carreira profissional se sentirão
limitados. Quanto a vinculação a política e empresa há conflitos de interesse. É verdade que renunciar um trabalho onde está capacitado
porque tem parentesco em um cargo
público é complexo. No entanto, é bastante evidente que passa um catalógo de
problemas. Dentre eles, por exemplo, num
conselho político do Governo ter que abster-se num dos temas porque um membro familiar trabalha numa
empresa afetada e isto acaba trazendo prejuízos para uma boa
governabilidade do país.
O dono da empresa que almeja deixar a mesma para uma segunda
geração põe em risco a própria sobrevivência.
A inteligência, a capacidade e a determinação
nem sempre se herda. Não é por acaso que muitas empresas recorrem a uma consultoria especializada em empresas
familiares. A melhor receita é a profissionalização. A oportunidade de encontrar dentro do mercado
o talento são maiores que na própria familia. Portanto, quando o nepotismo se pratica em
uma empresa familiar o único prejudicado
é a própria empresa. Quando é no seio do grupo de capital público o
prejudicado são os contribuintes. Logo,
não é o papel dos partidos políticos serem uma agência de emprego.
Nenhum comentário:
Postar um comentário