quinta-feira, 5 de abril de 2012

Nepotismo: uma lacra que deve ser erradicada


        No último dia 16, o Tribunal de Contas da União, por unanimidade absolveu a filha do ex presidente da República,  Fernando Henrique Cardoso, do proceso de ser funcionária fantasma no Senado.  De acordo com as informações, na época,  Luciana Cardoso,  declarou que não frequentava o local por achar a casa uma “bagunça”.  Este e mais outros casos reaviva os limites do nepotismo.  A nomeação de familiares de político não é exclusivo do PSDB e tampouco é ou será alguma novidade neste país.  O grande debate que deve ser feito é que transmite uma má imagen ao país, reduz a produtividade da empresa pública e transmite uma idéia de patrimonialista de Estado.  O nepotismo é uma lacra que debe ser erradicado  nas  empresas públicas.
      De fato, o nepotismo é um problema muito grave em razão que se transformou uma rotina na Administração do Estado.  O que sabemos até o momento é uma ponta do iceberg.  A verdadeira dimensão podemos encontrar  nas Administrações periféricas.   O amiguismo não se dá apenas nas estatais e sim onde o Estado conserva  uma participação.  Este é um problema que a classe política brasileira possui num sentido muito  patrimonialista do Estado.  A origen deste problema é cultural. Um  conceito de familia, de lealdade muito arraigado na sociedade com a tendência de proteger  e favorecer os seus. Nos países como Inglaterra a ética pública é muito forte.  No Brasil há uma idéia para chegar ao poder há que pertencer  ao círculo próximo de quem manda.  São jogos de poder , ou seja,  tu está em  dívida  porque ajudamos a chegar  ao poder.  Portanto, obriga a ser leal. Como  a reforma política está empacada, específicamente no tema financiamento de campanha e a transparência  ainda não é o ideal  no nosso país, este tipo de postura favorece negativamente a imagen.
         Há um argumento comum que justifica a contratação de um  parente por sua capacidade e preparação. Há que perguntar se não há outras saídas de emprego que não seja prejudicial para todos.  Nas empresas privadas  também existe esta cultura de contratar parentes. Este tipo  de postura limita a motivação de  profissionais  que pensam  em seguir a carreira  numa empresa.  Se um funcionario vê que seu chefe  contrata por motivo de parentesco  se frustam  em decorrência  que a carreira profissional se sentirão limitados. Quanto a vinculação a política e empresa  há conflitos de interesse.   É verdade que  renunciar um trabalho onde está capacitado porque tem parentesco  em um cargo público é complexo.  No entanto,  é bastante evidente que passa um catalógo de problemas. Dentre eles, por exemplo,  num conselho político do Governo  ter que abster-se  num dos temas porque  um membro familiar trabalha  numa  empresa  afetada  e isto acaba trazendo prejuízos para uma boa governabilidade do país.
        O dono da empresa  que almeja deixar a mesma para uma segunda geração põe em  risco a própria sobrevivência. A inteligência, a capacidade e a determinação  nem sempre se herda. Não é por acaso que muitas empresas recorrem  a uma consultoria especializada em empresas familiares. A melhor receita é a profissionalização.  A oportunidade de encontrar dentro do mercado o talento  são maiores  que na própria familia.  Portanto, quando o nepotismo se pratica em uma empresa familiar o único prejudicado  é a própria empresa. Quando é no seio do grupo de capital público o prejudicado são  os contribuintes. Logo, não é o papel dos partidos políticos serem uma agência de emprego.

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