sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"Com as redes sociais o debate é mais dinâmico e rápido"

Pode um jornalista com uma linha ideológica bem clara realizar um bom jornalismo?  Sim, e é muito fácil: separar a informaçao da opiniao e jamais deixar a segunda, tao doce e cheio de riscos, se imponha diante da primeira tao antipática em algumas ocasioes.   Dito isto,  Blog Alex Cruz entrevistou o candidato da deputado estadual Rodrigo Bornholdt (PDT/SC) que foi vice-prefeito em Joinvile, fundou a Casa Cidadania, elaborou o Projeto Via Cidadao, atuou como radialista e professor universitário na Univille. O tema de hoje aborda desde a visao que o candidato tem dos jovens, da internet na campanha eleitoral e do seu partido. Acompanhe a entrevista:
Candidato Rodigo conversando com os eleitores
P - Na última eleição, o PDT de Santa Catarina elegeu apenas dois deputados para Assembléia. Este ano, há uma inflação de deputados para a disputa de poucas vagas. Qual é o seu diferencial dos demais para poder se eleger?

O diferencial está no histórico das gestões que tive, na defesa intransigente de algumas bandeiras e também na minha formação acadêmica e profissional. Tive uma atuação reconhecida e diferenciada, seja como Vice-Prefeito, seja como Presidente da Fundação Cultural de Joinville. Valorizei a cultura, a participação comunitária, o empreendedorismo e uma visão de longo prazo para Joinville. Agora, quero levar esse entusiasmo para a Assembléia, na defesa da educação em tempo integral, do microcrédito e de uma visão que alcance os próximos 30 anos em Santa Catarina. Advogado há 15 anos, doutor em direito e ex-professor universitário, entendo que a política carece de uma visão consistente e conseqüente, vinda também do mundo acadêmico.
Quanto ao número de vagas em disputa, ele permanece igual. São as mesmas quarenta cadeiras na Assembléia Legislativa. Nas eleições de 2006 o PDT fez dois deputados estaduais. De lá para cá a política e os brasileiros mudaram. Os grandes partidos se tornaram parecidos. O PDT, com suas bandeiras em defesa do trabalho, do empreendedorismo e especialmente em favor da educação tem se mantido limpo. Espero que o eleitor compare as biografias dos partidos e dos candidatos.

P - As redes sociais permitem ampliar o mapa de relaçoes, compartilhar com os demais opiniao, informaçao e lançar mensagens a toda uma comunidade. Exemplos de redes sociais sao Twitter, Orkut, Facebook que permitem uma possibilidade de elaboraçao conjunta de propostas rápidas, democráticas e um custo pequeno.  Candidato Rodrigo Bornholdt, dentro da sua avaliaçao, tem conseguido transmitir, contagiar as mensagens e o projeto político de uma forma contundente ao cidadao-eleitor que está na internet?


Eu pessoalmente uso o Twitter há mais de um ano, tenho página pessoal no Facebook e estou agora também no Orkut. Tenho espaços também no Form Spring e Flickr que são mantidos por um grupo de amigos. A internet e os internautas se constituem em considerável força e não é de agora. É só lembrar da campanha pelo plebiscito do desarmamento quando os veículos de comunicação tradicionais, institutos de pesquisas  e formadores de opinião,  que defendiam o desarmamento, foram surpreendidos pelo Brasil que disse não. Toda a campanha se fez no silêncio da internet. Pelo MSN e por e-mails. Agora, com as redes sociais, o debate se tornou mais dinâmico e rápido. É um universo onde a sociabilidade se faz pelas idéias, pelos interesses comuns. Mais do que nas ruas e nas praças, é na rede que a juventude está se encontrando e discutindo o seu mundo e fazendo o seu futuro. Participo dessa onda com entusiasmo em razão da facilidade de propagar conhecimento, propostas e debates.

P - Brasil já está no caminho da retomada do crescimento econömico, mas ainda há muito que fazer em razao dos problemas estruturais. Rodrigo, que papel joga os jovens? E, em que sentido eles podem participar de temas públicos como atores sociais e agentes de câmbio?

O vetor das grandes mudanças no mundo, em todos os tempos, sempre foi a juventude. é só pesquisar a história de todos os tempos. O mesmo acontecerá agora. O Brasil está numa encruzilhada decidindo qual será seu papel no mundo globalizado, em que a China ameaça tomar a liderança econômica dos Estados Unidos, no topo há mais de um século. Conheci outro dia o padre Luiz Bazzanella, Vigário de Massaranduba. Um salesiano com mestrado na Itália que passou quarenta anos de sua vida ensinando jovens e estudando o pensamento humano. Ele se pergunta se o jovem está vivendo o "grande vazio" do niilismo. Em geral, vemos o niilismo associado a outras ideias, denotando seu vazio inerente. Por exemplo, niilismo político seria mais ou menos equivalente ao anarquismo, repudiando a crença de que este ou aquele sistema político nos conduziria ao progresso, o qual não passaria de um sonho mentiroso; o niilismo moral equivaleria à negação da existência de referenciais morais objetivas, ou seja, de valores bons ou maus em si mesmos; o niilismo epistemológico, à afirmação de que nada pode ser conhecido ou comunicado. Portanto, vemos que associar qualquer noção ao niilismo não é exatamente um elogio, mas algo como colocar ao seu lado uma placa dizendo: aqui não há nada, principalmente nada do que se acredita haver. Entendo que, apesar das dúvidas, o jovem, e eu posso ainda considerar-me um aos meus 39 anos, elege sim valores pelos quais deve lutar: revolta-se com a injustiça, com a desigualdade, com a falta de oportunidades, com um mundo em que o mercantilismo derruba convicções e causas. E, como sempre na história, nada conseguiremos sem lutar. Eu sigo na luta e convoco a todos os que querem ser agentes dessa mudança, desse novo salto à frente, para este bom combate.

P - O jovem ainda está desprotegido das políticas sociais. Primeiros suspeitos sao sempre os jovens. Chefes que contratam desconfiam da juventude e para piorar há um dito muito comum que atribui aos jovens a falta de interesse pela participaçao política. Rodrigo, esta frase é um meio para freiar as demandas e desmobilizar a juventude?

Meu programa político é também minha mais profunda convicção. Eu digo que só o conhecimento libertará. Defendo a educação como a porta para a redenção de cada pessoa e na soma delas, a assunção definitiva da justiça social. O conhecimento iguala pessoas, sexos e etnias. A discriminação e a desigualdade são produtos da ignorância e gestoras  de todas as mazelas de nosso mundo.
Além disso, é evidente que, no campo econômico, ao mesmo tempo que devemos diminuir a carga tributária sobre a produção, é preciso acabar com o descontrole em que vive o sistema financeiro. Aqui deve haver uma maior taxação, para financiar programas estatais consistentes. 


P - A mudança do modelo produtivo que necessita Santa Catarina exige estimular a formação profissional e contar com um bom serviço de orientação de trabalho para os jovens. Crêes que na Assembléia Legislativa poderá se comprometer e iniciar as mudanças necessárias para a juventude?
Em Joinville, criei um programa chamado "Via Cidadão", referência na área de emprego, em especial na orientação de trabalho.  A Assembléia Legislativa é o que são seus quarenta deputados. Espero fazer parte da próxima legislatura e nela produzir mudanças que penso necessárias para tornar Santa Catarina um oásis de excelência. Não apenas diante das outras unidades da federação mas, no contexto mundial. Podemos ser como é hoje a Califórnia para os Estados Unidos.  E tudo passa pela ação política, pela militância dos jovens e pela qualidade da educação. Teremos aí um círculo virtuoso.

P - O mundo diante da crise que enfrenta Europa e Estados Unidos está percebendo que falta lideranças políticas. Seja por falta de idéias, seja por falta de autoridade moral. Isto reflete, no universo particular dentro do trabalhismo que vive do passado, das idéias de Alberto Pasqualini (foi senador pelo PTB de Getúlio Vargas, ideólogo trabalhista e as suas idéias políticas foram incorporadas ao programa partidário do PDT), Darci Ribeiro e desde que o Leonel Brizola faleceu há um vazio até hoje dentro do PDT de um líder. Quando irá iniciar uma refundação do PDT?

As crises sempre existiram e sempre existirão. Após elas e por causa delas surge um novo ciclo de desenvolvimento e oportunidades. Foi assim após a Revolução Francesa, após a Primeira e especialmente depois da Segunda Guerra Mundial. Espero que nosso próximo salto  para o futuro não tenha como trampolim uma guerra e sim o que aparenta ser uma mudança no eixo econômico mundial. Brizola foi um grande líder e o PDT, todos os pedetistas e muitos brasileiros o reverenciam. Mas o PDT segue em frente e se moderniza. Cristovam Buarque pode não ter a verve nem ser aguerrido como Brizola, mas pensa o futuro como poucos nesse país. O PDT está em constante mudança sem perder suas bandeiras históricas. Isso me parece coerência.

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