Vivemos uma crise brutal de valores e na Europa as lideranças ou pecam pela ausência de idéias ou sem autoridade moral como é o caso de Berlusconi, para liderar um momento tao delicado que passa o Velho Continente. Nos Estados Unidos, falta autoridade a Barack Obama coesionar o Partido Democrata que está dividido. Coragem nao falta a este presidente, mas é um político fora do seio da elite deste partido.
Além disso, dentro das empresas e administraçoes públicas a escassa sensibilidade de muitos dirigentes que nao respeita a dignidade das pessoas que é o caso de chefes tóxicos, que perseguem, maltratam o empregado através da violência psiquica. Portanto, a análise do artigo que a Consultora Organizacional Ivana Werner aborda é muito preocupante: a falta de lideranças que tem sido visível na atual sociedade mundial. Boa leitura!!!!
Alexandre Cruz
jornalista
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| Consultora Organizacional aborda motivos da escassez de lideranças. |
Porque encontramos tão poucos líderes capazes de liderar?
O mundo experimenta uma grave crise de liderança em todos os níveis, educacional, político, social, religioso, empresarial. As instituições perderam sua importância e credibilidade, estamos vivenciando a falta de referenciais, de ética, de valores e de princípios. Esse processo é violento e chegamos no século XXI com um sério déficit de dirigentes preparados para lidar com as complexidades, com a volatilidade e as novas regras do mercado global.
Abraham Zaleznik, professor da faculdade de administração de Harvard, escreveu que liderança é feita de solidez, qualidade humana e princípios morais. Infelizmente estamos em falta destas três qualidades em nossas vidas coletivas.
Todas as teorias a respeito de liderança abordam que a liderança não é intelectual, cognitiva e sim emocional, envolvendo cada vez mais exigências comportamentais aos que escolhem o papel de líder. Hoje os líderes são reconhecidos pelo que realizam, pela experiência e competência, pela mentalidade que constroem e principalmente pela credibilidade pessoal.
Percebemos uma grande insegurança nos líderes em adotarem um modelo de liderança. Alguns permanecem autocratas, arrogantes, tiranos. Sentem-se bem sendo intimidadores e “cruéis” com os subordinados. Este tipo de líder faz mal a si mesmo, aos outros e ao negócio. Tiram à energia e a motivação dos times, não conseguem desenvolver e manter talentos e podem levar as organizações a pagar indenizações por processos de assédio moral. Estes líderes são obcecados por poder e por resultados e buscam isso a qualquer custo, muitas vezes desrespeitando o ritmo dos subordinados, gerando altos níveis de estresse e doenças. No outro extremo, encontramos líderes paternalistas, que não sabem colocar limites e deixam os subordinados “à vontade”. Agem assim para evitar conflitos e para serem bem quistos. Este tipo de liderança não estimula o risco, o desafio, a inovação e o crescimento. As equipes reagem de forma imatura, com rebeldia e o resultado é muito negativo.
Encontramos também muitos líderes aptos para gerenciar, mas incapazes de liderar. Outros são bons tecnicamente, mas falham no comportamento. Outros tem potencial e competências, mas estão perdidos na busca por referenciais.
O segredo de uma boa liderança está no equilíbrio, em reconhecer que as pessoas são o principal ativo de uma organização, em construir uma liderança distribuída, com responsabilidade compartilhada. O modelo de liderança é o situacional. Este tipo de liderança mostra uma relação entre motivação e poder, em que o líder altera seu estilo conforme a situação. Necessitamos de líderes com uma visão respaldada pela ética e que tenham coragem para enxergar além do seu próprio mandato, que zelem pelo futuro, pelas gerações vindouras e pelo coletivo. O foco da arte da liderança se desloca de dirigir e instruir, para facilitar e habilitar.
A liderança duradoura e o sucesso estão pautados nas raízes básicas do caráter (ética, transparência e fidedignidade) e a palavra chave da atual liderança é credibilidade. Os líderes que demonstrarem estas características e forem igualmente competentes gerarão entusiasmo e desempenho, solução e resultados, compromisso e capacidade.
A carência de líderes esta associada à falência das instituições, ao descrédito das lideranças que hoje não servem mais como exemplo, a falta de ética, aos cursos de formação que enfocam as competências técnicas e esquecem as comportamentais, a insegurança e a inércia que assola o homem contemporâneo.
Para não perdermos a esperança e não ficarmos temerosos em relação ao futuro é importante ressaltar que a liderança é uma competência que pode ser aprendida e desenvolvida e que hoje novas propostas estão sendo aprimoradas para treinar principalmente questões mais “intangíveis” relacionadas à postura e o comportamento.
Ivana Werner de Oliveira Torelly – Psicóloga Organizacional – Gapem
www.gapemconsultoria.com.br
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Parabéns. Excelente. A carência de líderes é visível. Um bom exemplo são as eleições desse ano no Brasil. Ivana, fica uma questão para um próximo artigo: Como os pais podem educar os filhos para serem líderes no futuro, desenvolvendo desde cedo essa habilidade??
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