sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Liderança em crise

         Vivemos uma crise brutal de valores e na Europa as lideranças ou pecam pela ausência de idéias ou sem autoridade moral como é o caso de Berlusconi, para liderar um momento tao delicado que passa o Velho Continente. Nos Estados Unidos,  falta autoridade a Barack Obama coesionar o Partido Democrata que está dividido. Coragem nao falta a este presidente, mas é um político fora do seio da elite deste partido. 
        Além disso, dentro das empresas e administraçoes públicas a escassa sensibilidade de muitos dirigentes que nao respeita a dignidade das pessoas que é o caso de chefes tóxicos, que perseguem, maltratam o empregado através da violência psiquica. Portanto, a análise do artigo que a Consultora Organizacional Ivana Werner aborda é muito preocupante: a falta de lideranças que tem sido visível na atual sociedade mundial. Boa leitura!!!!
Alexandre Cruz
 jornalista






Consultora Organizacional aborda  motivos da escassez de lideranças.







                              Porque encontramos tão poucos líderes capazes de liderar?

         O mundo experimenta uma grave crise de liderança em todos os níveis, educacional, político, social, religioso, empresarial. As instituições perderam sua importância e credibilidade, estamos vivenciando a falta de referenciais, de ética, de valores e de princípios. Esse processo é violento e chegamos no século XXI com um sério déficit de dirigentes preparados para lidar com as complexidades, com a volatilidade e as novas regras do mercado global.
        Abraham Zaleznik, professor da faculdade de administração de Harvard, escreveu que liderança é feita de solidez, qualidade humana e princípios morais. Infelizmente estamos em falta destas três qualidades em nossas vidas coletivas.
      Todas as teorias a respeito de liderança abordam que a liderança não é intelectual, cognitiva e sim emocional, envolvendo cada vez mais exigências comportamentais aos que escolhem o papel de líder. Hoje os líderes são reconhecidos pelo que realizam, pela experiência e competência, pela mentalidade que constroem e principalmente pela credibilidade pessoal.
   Percebemos uma grande insegurança nos líderes em adotarem um modelo de liderança. Alguns permanecem autocratas, arrogantes, tiranos. Sentem-se bem sendo intimidadores e “cruéis” com os subordinados. Este tipo de líder faz mal a si mesmo, aos outros e ao negócio. Tiram à energia e a motivação dos times, não conseguem desenvolver e manter talentos e podem levar as organizações a pagar indenizações por processos de assédio moral. Estes líderes são obcecados por poder e por resultados e buscam isso a qualquer custo, muitas vezes desrespeitando o ritmo dos subordinados, gerando altos níveis de estresse e doenças. No outro extremo, encontramos líderes paternalistas, que não sabem colocar limites e deixam os subordinados “à vontade”. Agem assim para evitar conflitos e para serem bem quistos. Este tipo de liderança não estimula o risco, o desafio, a inovação e o crescimento. As equipes reagem de forma imatura, com rebeldia e o resultado é muito negativo.
   Encontramos também muitos líderes aptos para gerenciar, mas incapazes de liderar. Outros são bons tecnicamente, mas falham no comportamento. Outros tem potencial e competências, mas estão perdidos na busca por referenciais.
      O segredo de uma boa liderança está no equilíbrio, em reconhecer que as pessoas são o principal ativo de uma organização, em construir uma liderança distribuída, com responsabilidade compartilhada. O modelo de liderança é o situacional. Este tipo de liderança mostra uma relação entre motivação e poder, em que o líder altera seu estilo conforme a situação. Necessitamos de líderes com uma visão respaldada pela ética e que tenham coragem para enxergar além do seu próprio mandato, que zelem pelo futuro, pelas gerações vindouras e pelo coletivo. O foco da arte da liderança se desloca de dirigir e instruir, para facilitar e habilitar.
        A liderança duradoura e o sucesso estão pautados nas raízes básicas do caráter (ética, transparência e fidedignidade) e a palavra chave da atual liderança é credibilidade. Os líderes que demonstrarem estas características e forem igualmente competentes gerarão entusiasmo e desempenho, solução e resultados, compromisso e capacidade.
         A carência de líderes esta associada à falência das instituições, ao descrédito das lideranças que hoje não servem mais como exemplo, a falta de ética, aos cursos de formação que enfocam as competências técnicas e esquecem as comportamentais, a insegurança e a inércia que assola o homem contemporâneo.
       Para não perdermos a esperança e não ficarmos temerosos em relação ao futuro é importante ressaltar que a liderança é uma competência que pode ser aprendida e desenvolvida e que hoje novas propostas estão sendo aprimoradas para treinar principalmente questões mais “intangíveis” relacionadas à postura e o comportamento.
Ivana Werner de Oliveira Torelly – Psicóloga Organizacional – Gapem 
www.gapemconsultoria.com.br

Um comentário:

  1. Parabéns. Excelente. A carência de líderes é visível. Um bom exemplo são as eleições desse ano no Brasil. Ivana, fica uma questão para um próximo artigo: Como os pais podem educar os filhos para serem líderes no futuro, desenvolvendo desde cedo essa habilidade??

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