O fenômeno é minoritário de acordo ou opinião dos especialistas, mas é muito sério e preocupante. Infelizmente, não há dados, estatística deste problema que seria uma resposta de muitas necessidades da sociedade atual, mas a realidade está aí, não há como ocultar. As mães são sempre as vitimas. Afinal o que está em questão é uma educação excessivamente liberal? Para abordar este tema complicado, difícil e que mexe com a normalidade dos valores de uma sociedade a psicológa Rosane Müller, graduada em psicologia e pedagogia pela UNISC, pós-graduada em terapia de casais e família, com especialização em Psicoterapia Psicodinâmicas pela Universidade Federal de Ciência de Saúde em Porto Alegre e com Mestrado em Psicologia do Desenvolvimento responde ao Blog Alex Cruz. Uma boa leitura!!
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| Psicológa Rosane Müller responde aos leitores de Blog Alex Cruz. |
P - Filhos que pegam os pais é minoritário, mas o assunto é muito sério. É uma patologia social própria da época que vivemos?
R - Não usaria o termo “patologia”, pois nesse caso não caberia usá-lo. Diria ser um ônus que a sociedade em transformação tão célere enfrenta, são novos desafios para a educação pós-moderna. Desafios que não estão, em alguns casos sendo vencidos por esta sociedade, que engloba a família, a escola e o convívio social. As últimas três décadas tem sido de mudanças inquietantes e surpreendentes em todos os sentidos, a disseminação em larga escala de uma série de informações sobre educação de crianças, relacionadas com a pedagogia e com a psicologia, leva a uma reflexão na forma de agir e pensar dos pais e da sociedade, alterando a relação pais-filhos. A informação é muito mais rápida e contínua que a acomodação comportamental possa dar conta. E nesse contexto as crianças nascem e se desenvolvem, e a família e escola em muitos casos, não acompanham esse desenvolvimento, tornando-se perdidas entre tantas informações, proibições, apelos sociais. Mesmo sendo positivo essa contribuição do crescimento do diálogo entre as gerações, esses mesmos conhecimentos vieram modificar, em contrapartida, toda a estrutura da relação.
P - Este tipo de problema se deve a uma educação permissiva, sem limites?
R - Nem sempre a permissividade é sinônimo de falta de limites. Costumo dizer que a falta de limites está mais nos pais, do que nos filhos. Educar é sinônimo de amor e dedicação, e os pais se assoberbam de tarefas sociais, em prol da sobrevivência, do “ter”, no pouco tempo que resta do dia, necessitam dedicar a si próprios, dessa forma “a doação” na educação de um filho, muitas vezes, inconscientemente, torna-se mais um peso do que um prazer. Reintero que a falta de limites algumas vezes é dos pais, consigo próprios e consequentemente, tornam-se permissivos com os filhos. Esses, por sua vez, desenvolvem-se como “navios sem leme”, á deriva.
P - Por outro lado, pode suceder em casais com relações conflitivas que se desqualificam mutuamente, que utilizam os filhos como arma, criando um código que o filho percebe como árbitro.
R - A criança, por ser um ser em desenvolvimento, com todos os canais cognitivos abertos para a descoberta, capta tudo muito mais facilmente que os adultos possam imaginar. Os filhos percebem muito antes do casal, quando algo não está bem entre ambos, e passa a usar um código, criando várias situações tirânicas, para que a atenção de ambos os pais se voltem para ele, e assim as brigas passem para segundo plano, como se o problema fosse os filhos e não a relação conjugal. Na realidade, os filhos naturalmente se colocam “no meio” do casal, se ambos estão em crise, a família na resiste. Em tempos que se discute a Alienação Parental(quando um dos cônjuges põe os filhos contra o outro cônjuge, como forma de vingança, destruindo a relação parental entre mãe/ou pai com filho(s))como um crime, torna-se mais claro, a importância do bem estar da relação conjugal na educação dos filhos.
P - Maior erro de uma mãe é ser amiga em vez de mãe?
R - Mãe é mãe, amiga é amiga, é básico. Os filhos precisam aprender a confiar na mãe, saber que ali existe um porto seguro, que a mãe está invariavelmente ao lado dos filhos, para proteção, orientação e amor. Mesmo quando é repreendida, a criança precisa sentir que está sendo orientada, e não punida. E isto é mais fácil que se possa imaginar, é ensinar os filhos desde pequenos a responsabilidade e o respeito, amigos compactuam, mãe (pais) precisam estar mais além disso, precisam orientar, como um farol, que sinaliza, mas está presente. O maior erro das mães é querer reviver suas etapas, não tão bem vividas, através dos filhos, isso sim é um erro.
P - Há pais que crêem que dizer não ao filho cria um trauma. As crianças tem que aprender o que é frustração?
R - Dizer sim, com certeza é bem mais fácil que dizer não. A nossa sociedade prega que a pessoa simpática, atenciosa, bem-educado ou cuidadoso, não deve dizer não. Essa crença está muito presente na maioria das condutas da vida, da intimidade dos nossos lares á esfera pública da política. O não e o sim, tem o mesmo valor e importância, ambos são decisivos, alonga nossos “músculos emocionais”. Dizer não a uma criança, quando necessário, é reforçar sua capacidade intelectual, é prepara-la para o mundo fora do contexto familiar, pois os pais não poderão dar conta de todos os pedidos e exigencias que crescem à medida que a criança também cresce. Portanto a frustração é necessária para um desenvovilmento psicossocial e cognitivo adequado, proporcionando a valorização do “sim” e a responsabilidade da permissão e quando o “não” ocorre, a segurança que a criança experimenta será mais forte do que a frustração momentânea da negação.
P -Uma educação constante com perseverança, fortalecendo o desenvolvimento moral dos filhos, vigilantes na eleição das normas é uma forma de evitar filhos tiranos sem limites e agressores.
R - Citando um grande estudioso da educação, Içami Tiba, que nos coloca diante de uma frase de grande peso: “Quem ama, educa!”, e também que não é só “mãe” é “pais”, uma criança precisa da mãe e do pai, para sua educação, pois os filhos amam a ambos, e precisam ser protegidas e cobradas de acordo com suas necessidades e capacidades. A mãe precisa tomar muito cuidado para não transformar seu amor de mãe numa doação que atropela o filho, em vez de educá-lo, e o homem precisa superar o pensamento de que é a mãe que educa, e estar verdadeiramente interessado em educar seu filho. A omissão, que permite à criança fazer tudo que tem vontade, ou a explosão diante de qualquer deslize do filho, além de não educar, distorcem a personalidade infantil, tornando a criança sem limites ou sufocada (reprimida, tímida). No futuro, ela poderá se revoltar quando for contrariada. Portanto, é importante que os pais busquem ajuda quando não conseguem fazer o que sabem que tem que ser feito.

Parabéns pela entrevista Ale.
ResponderExcluirbjs
Helena