quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Londres em chamas

      A Riqueza das Nações de Adam Smith considerava os homens capazes de tomar decisões sobre a base da informação livremente disponível e o resultado coletivo era a distribuição mais justa da riqueza possível.  O fundador do capitalismo, Adam Smith que neste mesmo livro escreve das elites corruptas e poderosas da história, diz: "Tudo para nós e nada para os demais." Dito isto, a revolta em Londres é um reflexo de um capitalismo predatório, injusto e mais: não será a primeira vez e tampouco a última que a Inglaterra padecerá de um conflito que vive nestes dias. Neste sentido, há pontos comuns com a históricas batalhas do passado. Desde os distúrbios de Brixton em 1981 passando por Totenham em 1985 e muitos outros.
       A onda de revolta ou os protestos atuais provoca uma sensação de ser menos ideológica que no passado. As notícias dizem que se dedicam sobre tudo assaltar comércios. Não assaltam supermercados. Não roubam comida!! O principal objetivo são as lojas de telefone celulares, eletrodomésticos, roupas e tênis esportivos. De fato, isto nos leva a creer a tradução da ânsia do consumismo. A frustração de não ter dinheiro para comprar o que os outros têm. Eis o principal motivo do protesto nos bairros de Londres. Ou quem sabe uns dos motores. A crise econômica pode ter sido um fator que deve pesar em conta nesta revolta. A diferença em países como a Grécia e Espanha onde as classes médias foram para as ruas e na capital inglesa, são os jovens de bairros marginais. Além disso, seus problemas não vêem de quatro anos. A frustração tem raízes muito mais profunda. Outro motivo para este conflito é o perfil socio-cultural conservador e classista da cultura anglo-saxão que marca um contraste externo com as culturas minoritárias dos imigrantes que percebem o modo de uma forma acentuada a marginalização social e cultural.
       Outro ponto de revolta é o fator psicológico que alimenta fúria destes jovens. Paira uma convicção que a conjuntura não está só mal, e sim, tudo está pior em razão que os centros sociais irão oferecer menos serviços, auxílio a moradia será reduzida e o contraditório de tudo isto é que perderão em razão que o Estado ajudou os bancos, o principal culpado pela crise. No entanto, cabe frisar que não foram os bancos o objetivo das pilhagens. 
    Para todos os analistas políticos continua um enigma a revolta dos jovens de Londres. É bom frisar isto, pois os revoltosos não tem escolhido uma eleição politizada de seus objetivos. Mesmo com a crise que consequentemente leva a recortes sociais e que contribui a aumentar as tensões sociais, ainda não é uma explicação suficiente.       Dentro da análise das informaçõees obtidas até o momento, os estabelecimentos assaltados, destruídos ou incinerados pertencem aos imigrantes. É inevitável diante de tudo isto em não sinalizar o contraste entre o que ocorre no Reino Unido e a originalidade de 15-M, um movimento de massas que leva como característica princípios da não violência e respeito.

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