sexta-feira, 15 de julho de 2011

Crise na Europa

        Nos anos 30, Winston Churchill afirmava: "Decididos a ser indecisos, inflexíveis na deriva, sólidos na fluídez e onipotentes em sua impotência". Dito isto, numa das crises econômicas sem precedentes da Europa, o Velho Continente se comporta como um menino de pai ausente que quer ser agradável. O desejo de ser querido significa que nao gosta de conflito, portanto, tem dificuldade de dar ordem.  De momento, Angela Merkel e Sarkozy estão preocupados com os seus eleitores. Evidente, que a política nacional é soberana e, talvez, estes dois mandatários busquem atender os seus eleitores sem "preocupar-se" com as relações com os demais países do mundo ou com as pressões sobre o euro. Só que, neste caso, estes vacilos ou este dilema põem em evidência uma assombrosa irresponsabilidade. Em plena tempestade econômica, a Alemanha resiste em aceitar uma reunião extraordinária do Eurogrupo para pôr ordem na situação desastrosa que são as dívidas nacionais européias.  Até o momento, a Europa não possui uma idéia clara para resgatar a Grécia e tampouco propõe um segundo empréstimo para Irlanda e Portugal. 
    Este tipo de comportamento não só prejudica a Grécia, como compromete o futuro da Irlanda e de Portugal e deixa sem oxigênio a possibilidade de crescimento da Espanha e da Itália.  A visão praticamente míope e a linha ideológica mortal dos alemães,pregando que cada país é responsável por seus excessos e resistindo em aceitar o eurobônus, pode nos levar a assistir a um Titanic chamado Europa, afundar em ondas altíssimas de custos financeiros, por culpa da indecisão destes dois grandes países europeus que são a Alemanha e França.  Um valor alto do custo financeiro que irá tragar qualquer orçamento e com isto devorará muito mais, que agora, os postos de trabalho em Madri e Roma. O pior efeito da crise é a falta de iniciativa. Estar paralisado. A pior imagem que a Europa pode transmitir é de que não existe, ou seja, de que aos poucos está saindo do cenário mundial e anulando o otimismo do cidadão e dos empresários médios.   
    Para ilustrar a dura realidade econômica de uns dos países mais importantes da Europa, ontem, o Ministro da Economia da Itália, Giulio Tremonti, aplicou um forte ajuste que irá deixar no caminho sangue, suor, lágrimas e provavelmente cadáveres italianos e  fez uma advertência para Alemanha de Merkel, carregada de dramaticidade, mas muito próxima da realidade:  "A Europa tem um encontro com o destino. A salvação não chegará desde as finanças e sim numa política comum. Não podemos cometer mais erros. Se sucede, passará como o Titanic onde não se salvaram nem os passageiros de primeira classe". E este encontro com o destino deve vir acompanhado, desta vez, de uma política alternativa  e não de uma política econômica sem alternativa, que atinge a população trabalhadora e viola os direitos humanos. Esta política econômica sem alternativa é que está trazendo ruína, dor, conflitos sociais e desigualdade com consequências imprevisíveis. 
   A Alemanha e a França jogam  ou confiam na política do quanto pior, melhor. Parece que estes líderes europeus estão esperando ver o continente na borda do precipício, para acionar o botão nuclear e assim aprovar uma solução convincente para interesses destes mesmos países sem uma política alternativa séria, longe dos ditames do FMI.

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