quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Tea Party: um perigo para a democracia


   Mesmo ainda faltando um ano para as eleições nos Estados Unidos, a religião tem se tornado um fator decisivo entre os candidatos republicanos. A congressista Michele Bachamann, evangélica luterana, tem combatido o matrimônio gay; o governador do Texas, Rick Perry, é contra a separação entre a Igreja e o Estado; o ex-governador de Massachusetts, Mit Romney, é mormón. Estes candidatos cortejam o movimento Tea Party, que duas semanas atrás quase levou os Estados Unidos ao precipício, optando em não pagar a dívida para não aumentar o teto de endividamento público. Além de ter como característica a xenofobia, o movimento possui como principal objetivo, colocar líderes religiosos no governo. O Tea Party aspira ou deseja a fé na política e que o governo seja Deus. 
  Estes candidatos até o momento apresentados nas primárias republicanas, sendo um deles ungido para enfrentar Obama, carecem de qualidades de liderança, o que é lamentável para os Estados Unidos. Existe algo novo e diferente na crise da atual democracia americana: A confusão entre a Igreja e o Estado.
    Em tempos de crise, Michele Bachmann propôs sete leis. Nenhuma foi aprovada. O que ela realizou nestes 10 anos de vida política? Ativismo religioso. Possui uma visão que os homossexuais são ladrões, alcoólatras e violadores da vontade divina. Rick Perry, outro candidato republicano, sustenta que a divisão entre a Igreja e o Estado é uma obra do Tribunal Supremo, que está totalmente politizado e é uma ferramenta dos "social-democratas". De fato, eles desconsideram que a lógica da separação é evitar a concentração de poder, afastar o medo, a fé e priorizar a razão, e que governar uma Nação é adotar  instrumentos políticos que protejam os direitos individuais. Apenas para ilustrar a personalidade política deste candidato, em abril quando o Texas sofreu uma das piores secas, foram decretados dois dias de orações oficiais para pedir a chuva. O sistema imunológico de uma democracia se fortalece quando a cidadania tem oportunidade de examinar cada fato, cada opinião diante do tribunal da razão. O bombardeio de temores e soluções simplistas tem provocado, desde os oito anos da gestão de Bush, uma reação exagerada e irracional como ocorre no tema de negociação da dívida.
   Num mundo tão complexo que exige análise rigorosa, é assustador que candidatos com estas posturas e convicções possam sair das primárias. Mitt Rommey, por exemplo, é mórmon (a obediência para os mórmons é uma virtude) e tem uma visão político espiritual entre o bem e o mal. Cabe uma pergunta: Um presidente deve prestar obediência cega à hierarquia da Igreja? Talvez a mesma pergunta fosse feita para John Kennedy, católico, deveria ele obediência ao Papa? Em um mundo de grandes incertezas, estes líderes que mesclam uma política simplista com afirmações que seguem o mandato de Deus, fugiriam com facilidade de perguntas difíceis, baseadas na deficiência de lógica das suas argumentações. A falta de curiosidade destes políticos na busca por novas informações gera uma incapacidade para compreender os problemas mais a fundo. Em consequência disso, fica dificultada a identificação de táticas realmente eficazes que precisariam ser adotadas para resolver os desafios que a sociedade necessita.

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