Caro Governador Tarso Genro,
A história da humanidade está forjada pela constante batalha do ser humano em compreender o cenário que se desenvolve. O homem para alcançar seu objetivo, utiliza a informação oportuna como um instrumento para determinar o fracasso ou a vitória, sobre aqueles elementos que se quer conquistar. No entanto, apesar da importância que se alberga o emprego da atividade de Inteligência como uma forma de produzir conhecimento para a gestão do Estado e da sociedade, tem sido associado como um elemento a ferir os direitos humanos dos indivíduos. Todavia está na memória as ditaduras que contaminaram muitos países da América Latina e que utilizaram o corpo de informação para aplicar o terrorismo de EStado e reprimir os setores que eram contrário ao sistema. Só que a inteligência é o conhecimento que nossos homens, sejam civis, sejam militares devem possuir para salvaguardar o bem estar nacional. A falta ou ineficácia deixa uma autoridade a mercê dos meios de comunicação, navegando por um mar de incerteza que no caso do Rio Grande do sul afeta também a sociedade. Alguns acontecimentos nos fazem refletir sobre os nossos erros em determinadas situações da vida, cujas atitudes muitas vezes correspondem aos fatos. Porém, não os isentam de erros. Diante disso, o Rio Grande do Sul completa um mês sem respostas da queima de pneus nas estradas em diversos pontos do Estado. Até o momento, foi identificado apenas um sargento da reserva da Brigada Militar. Para piorar, como se tivessem de risas, chacotas diante das autoridades, o desfecho do último episódio foi uma bomba colocada próximo ao Palácio Piratini. De acordo com a imprensa, o senhor considera um ato terrorista.
Concordo!!Através destes atos de supostos setores de brigadianos, eles estão deixando o serviço de inteligência do Brasil e a PM-2, polícia secreta da Brigada Militar, numa situação delicada. No dia seis de setembro a ABIN cumpriu mais um ano de existência. Até o momento, a superintência da ABIN que tem no Rio Grande do Sul não foi capaz de descobrir, transmitir informações sobre os fatos para as ações do governo e assim dar uma segurança à sociedade. Os homens do Governador, dias atrás, convocaram uma entrevista coletiva cobrando que a oposição tomasse uma posição a tais atos. Em vez de ficar omisso o Parlamento gaúcho deveria tomar a iniciativa em criar uma comissão de investigação para melhorar o serviço de segurança. De certo modo recordo, Governador Tarso, como o Cardeal, espanhol Rodrigo Bórgia (pai de Cesar Borgia que inspirou Maquiavel para escrever a obra o Principe) extremamente irritado após sofrer um intento de assassinato de um vinho que estava envenenado, determina seus homens que reúnissem os criados do Palácio para beber o mesmo. Seu método era que todos bebessem o vinho que não tinha o veneno. Para ele, o traidor se denunciaria pelo medo a resistir a tomar um copo de vinho. Dito e feito, descobriu o autor e principalmente quem estava por detrás daquela ação que quase mata o filho de Bórgia. Era o poderoso Duque Gaspare Malatesta, inimigo do cardeal.
Deixando de lado o ano de 1492, voltando para os tempos atuais é impressionante que até o momento, o Governo do Estado, não saiba a identidade dos responsáveis e tampouco resolvido esta intriga política. De momento, não leva a culpa da falta de informação, no entanto, se não reformula onde está ao seu alcance como a PM-2 irá cavalgando a um rumo perigoso onde a sua autoridade está sendo desafiado por estes supostos setores da Brigada Militar e numa era de grande dificuldade regional com obstáculos a superar como a dívida estadual, pagamento e reajuste ao funcionalismo e a retomada da modernização do nosso Rio Grande ao patamar que aspiramos a nível nacional.
A vitória de um Governo está na abundância de boas informações. Quando um governo ataca sem saber bem quem está atacando é porque a atividade de inteligência está falhando em detectar, analisar e localizar os responsáveis. A inteligência é como uma atividade de conhecimento antecipado através do processo de informação. É fundamental para tomada de decisões. Um mês daqueles atos, nada aconteceu na busca destes autores. Quanto a PM-2, tem no momento fracassado. As informações que se tem, no governo Yeda Crusius, monitorava os movimentos sociais. Senhor Governador, é verdade que isto acabou na sua gestão, mas há que reformular a PM-2, pois estas ações criminais tem que acabar, já que afetam a liberdade, o patrimônio dos habitantes e seus direitos e garantias. Não só eu, jornalista, amigo e Secretário-Geral da nossa então força política, como milhões de gaúchos confiam na sua capacidade de resolver os problemas, que há tempos aflige o nosso Estado como também saberá diante desta crise encontrar uma solução para encontrar os responsáveis, punir de uma forma exemplar como a sociedade exige e melhorar a atividade de inteligência que neste momento está falhando.
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