O ex primeiro ministro Felipe Gonzalez (1982-1996) virá a Porto Alegre participar do I Encontro Ibero Americano de Conselhos de Desenvolvimento Econômico e Social. Trata-se de um especialista em assuntos de Estado, cuja opinião é muito levada em consideração em qualquer fórum. Desde que saiu de Moncloa, Gonzalez é muito requisitado em conferências, cursos etc. Seu prestígio não deixou de crescer desde que abandonou o poder. Sua presença desperta curiosidade e respeito em todos os aspectos. Participou do "grupo de reflexão" que presidiu durante os últimos 22 meses, onde apresentou, em Bruxelas, as conclusões de seu trabalho, com propostas para o Conselho Europeu de aceleração das reformas estruturais e recuperação do atraso da Europa de 15 ou 20 anos. Dentro do seio do seu partido, PSOE, coloca que: "La crisis económica que vivimos es a la vez el anuncio y la consecuencia de un gran tránsito histórico: el inicio de una nueva era en la historia de la humanidad. Un cambio al menos tan transcendental como lo fue el paso de la sociedad agraria y rural a la sociedad industrial y urbana, pero mucho más rápido que aquel o cualquier otro cambio de gran magnitud ocurrido con anterioridad. "
Este enunciado somado às eleições no dia 20 de novembro pressupõe que o PSOE deverá enfrentar muitas perguntas. A primeira pergunta é: Qual é o papel que deve exercer o partido no centro da nova sociedade? Um partido do século XXI é aquele que seja capaz de interagir com os eleitores proporcionando dados, argumentos e propostas em tempo real para a sociedade. Manter estruturas hierárquicas partidárias atuais, com um líder cercado de executivos fiéis, próximo ao poder institucional e preocupados por conservar sua posição diante de uma atitude acrítica é desconhecer a novo comportamento dos cidadãos, que desejam e podem participar na política.
Segunda pergunta: Que significa ser socialista no século XXI? A sociedade atual experimentou grandes mudanças. Não há dúvida de que o socialismo deste século deve partir de premissas distintas do socialismo do século XIX e XX, pois uma sociedade articulada ao redor de bases diferentes requer um socialismo distinto e reconhecível para quem vive imerso em uma nova forma de produzir e gerar riqueza. Estamos assistindo a um grande passo da sociedade industrial, da sociedade do conhecimento e de inteligência e, ser socialista do século XXI, é tratar de articular uma nova forma de se relacionar com aqueles setores que tem à disposiçao um grande patrimônio tecnológico.Diante disso, estamos há pouco mais de um mês das eleições espanholas e o estado de ânimo não é dos melhores para o PSOE e sua militância. Inclusive, o candidato do PSOE para Moncloa, Alfredo Pérez Rubalcaba reconheceu que não se apresenta para ganhar. Uma confissão de derrota eleitoral sem precedentes. O Partido Popular, partido conservador espanhol, está forte. O PSOE optou ou foi cooptado a realizar políticas neoliberais e, tudo indica que o eleitor espanhol prefere o original à cópia. Esta falta de alternativas favorece o desinteresse do eleitor de esquerda. O desencanto pela política, que deveria ser um espaço do cidadão para enfrentar e resolver problemas, comprova a perda da mobilização do eleitorado de esquerda. A influência dos interesses e inclusive a lógica no campo econômico no espaço da política, impedem o enfrentamento de problemas cujas soluções poderiam afetar o mundo dos negócios e deixam de lado a política de solução de grandes temas que afligem o planeta: desde a fome no mundo, passando por enfermidades contagiosas e até os problemas ambientais. O Estado deveria atuar como contrapeso equilibrado no mundo dos negócios mas, o que tem acontecido, é que foi capturado, e o resultado disso condiciona gravemente a agenda política. Portanto esta distância da política e dos políticos, longe de diminuir, se mantém e talvez até se acentue. Na Espanha o desencanto eleitoral é muito alto. O número de jovens que se absterão de votar pode chegar a 40%. Dos novos votantes, 30% declaram que não votarão nem no PP e tampouco no PSOE. O partido socialista pode perder entre três a quatro milhões de votantes nas próximas eleições e a grande maioria não votará no Partido Popular.
Felipe Gonzalez vem a Porto Alegre, no início de dezembro, para satisfazer a nossa curiosidade sobre o futuro da Espanha e da Europa. Este ex-mandatário está autorizado para prognosticar, pois também pertence ao grupo de sábios que pensam o Velho Continente e foi uns dos grandes líderes europeus junto a Gerhard Schröder. Atualmente, neste continente, os líderes não estão à altura dos grandes desafios que tem se apresentado por aqui.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Felipe Gonzalez, socialismo e as eleições espanholas
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