sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Pensamento sobre a sociedade democrática

      A corrupção é uma tema espinhoso que, todavia, não está superado no Brasil. De fato, a corrupção não é estranha nas democracias, mas é com um grande significado que a presidenta Dilma Roussef forçou a renunciar seis ministros em menos de 10 meses de governo. É um recorde. Isto chama a atenção sobre algo que forma parte da nossa condição política que ninguém, menos na política, consegue o que desejamos e isto é uma das grandes conquistas da democracia. A presidenta  está cercada por 10 partidos que fazem parte do Governo e todos eles são necessários para a governabilidade. Dentro do Congresso brasileiro, o número total de cadeiras é de 583. O Partido dos Trabalhadores possui apenas 83. No Ministério, é dividido por estes partidos de coalizão com fórmulas quase matemáticas em função do peso de cada agremiação partidária.
      Dito isto, uma sociedade está democraticamente madura, quando há assimilado que a política é sempre decepcionante, no entanto, não priva, não impede de sermos politicamente exigentes. A política é inseparável da disposição ao compromisso. Está incapacitado para a política quem não tem a capacidade de conviver com este tipo de frustração e de respeitar os próprios limites. Ensinaram-nos que a política é algo irresponsável e fraudulento, mas que deveríamos acostumar a considerar que isto também a constitui.
         Em uma sociedade democrática, a política não pode ser um meio para conseguir plenamente os objetivos desenhados a margem das circunstâncias reais, fora da lógica institucional ou sem ter em conta os demais. Qualquer sonho político é realizado em colaboração com os demais que buscam participar da definição. Os pactos, as alianças põem de manifesto que necessitamos dos outros, que o poder é sempre uma realidade compartida. A convivência democrática proporciona muitas possibilidades, mas impõe também não poucas limitações. De entrada, os limites que procedem do fato de reconhecer outros poderes dos grupos ou interesses sociais com tanto direito como para disputar a partida.
     Por isto ação política implica sempre transigir. Quem aborda qualquer problema como uma questão de princípios, quem fala constantemente a linguagem dos princípios, do irrenunciável e do combate se condena à frustração e ao autoritarismo. A política fracassa quando os grupos rivais preconizam objetivos que de acordo com eles não admitem concessões e se consideram totalmente incompatível e contraditório. Todo fanático acredita que seus oponentes estão fora do alcance da persuasão política. De todo modo, ao destituir os seus ministros com celeridade, a Presidenta Dilma deu provas para a sociedade brasileira que será implacável com a corrupção, tolerância zero mesmo diante de um sistema político que muitas vezes favorece distorsões.

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