Ameaça fantasma paira na Europa, principalmente países como Itália e Grécia. A tecnocracia deixa de ser um fantasma e aparece forte nestes países mediterrâneos. O governo de ambos os países já contam com voto maioritário do Parlamento para enfrentar a crise do euro. A fórmula parece nova. Parece um cenário diferente, mas é difícil não recordamos Roma clássica onde o Senado contava como atribuição nomeiar um ditador para fazer frente a dificuldades extraordinárias como era o caso de guerra. A ditadura naquele tempo, era entendida como situação de exceção, vinculada à situação do momento, a qual o sistema político via como provisória, prevendo um regresso a normalidade mais adiante. Os pontos fracos não só tinha a ver com a natureza do poder e sim com a determinação do momento que devia ser considerada superada as dificuldades extraordinárias e que por tanto deveria cessar a ditadura. Na teoria, este momento correspondia ao Senado. Na prática, o ditador dispunha de muitos recursos para que as dificuldades extraordinárias se prolongassem e para deter a lógica estrita do mecanismo também prolongasse o mandato. Um exemplo seria para acabar uma guerra o ditador sustentava que era necessário empreender uma segunda que acabasse uma vez de todas com a ameaça e o que obrigava a manter a ditadura.
Com esta razão de fundo que explica este mecanismo, esta transformação da democracia em ditadura guarda uma estreita relação com a legitimidade que funda em última instância o poder político. Mesmo carregado com menos dramatismo o argumento continua sendo válido se em lugar de guerra as dificuldades extraordinárias que toma em consideração um Parlamento para conceder poder ao governo de exceção são econômicas. Se o governo de exceção fracassa contra a crise, o regime democrático fracassa. Mas, se consegue resolver a legitimidade democrática pode converter a partir dai deste momento em um prejuízo aos puristas.
Lucas Papademus, Grécia e Mario Monti, Itália tem sem dúvidas credenciais democráticas, mas nao se tem certeza de dar garantias ao procedimento que possa acarretar a um Estado de exceção. Se os resultados demoram. Se as medidas tardam em acontecer as dificuldades extraordinárias que os Parlamentos de ambos países passaram uma procuração serão mais extraordinárias e com isto a prolongação dos mandatos de seus governos tecnocratas. Na recente eleição espanhola onde Espanha concedeu uma ampla maioria ao Partido Popular que controla, também, a prática totalidade dos Estados e das prefeituras das grandes cidades. A legitimidade democrática pode ser o resultado suficiente para enfrentar a crise econômica, mas ronda o perigo que não só imponha a fórmula como da Grécia e Itália e sim que os governos democráticos atuem ou se vejam obrigados atuar como se fossem tecnocratas.
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