segunda-feira, 26 de março de 2012

Sociedade em cheque


       Síndrome de imunodeficiência está bem descrito nos individuos como um organismo que perde a capacidade de defender contra um agente patógeno. O sistema imunitário deixa de funcionar. De modo algum está definido no campo social. No entanto, uma sociedade pode perder esta capacidade e sentir-se incapaz de isolar, combater, neutralizar ou expulsar os elementos que corroem o tecido social.  As defesas ficam debilitadas. Ficam vulneráveis e não reagem perante ao agressor que ataca.  Não podemos esquecer que as sociedades também possuem esta patología.  A proliferação de casos delitivos no mundo político e no mundo empresarial, a quebra de confiança nas instituições, a desmoralização – como a falta de energía ética e a abundância de comportamento indignos  - ou a falha clamorosa do Estado chileno no caso Atala são uma prova que a nossa saúde é precária. Não nos escandalizamos já por nada. É muito perigoso a facilidade com que todos nós acostumamos a qualquer coisa como se tivessemos submetidos a um lento proceso de intoxicação.
          Diante da inanição as sociedades podem ficar canalhas – exemplos na história não faltam – quando aceitam como normal ou indecente. Caso não estejamos neste ponto, no mínimo podemos ser colaboracionistas mesmo sem querer.
        Por que chegamos a este ponto? É fácil identificar vários fatores que reduzem  a defesa do organismo social. Talvez o mais temível, demolidor é a carencia do pensamento crítico. Parece que estamos encantados que nos roubem. Aplaudimos os malandros, transformamos em um espetáculo.
      Uma série de creênças patógenas diminui também a capacidade de resposta. A convicção que todo desaforo fica impune está dentre elas. Também podemos focar a evolução da crise económica. A creênça da inevitabilidade do fenómeno. Uns pensam que é assim a natureza humana e outros é a consequência do sistema. Seja como for, ambas opiniões instalam um pesimismo cético que debilita o organismo. Deste modo gera um sistema de desculpas já que as coisas são como são e não tem remédio, para que esforçar-se? Esta impotência confortável é uma mostra de colaboracionismo que se comentou antes.
    Outra creença que se comenta é a tolerância que é a grande virtude da democracia. Com quê temos que ser tolerante? Com o bem? De modo algum. Com o bem não temos que tolerar e sim aplaudir, proteger, fomentar. Então, com o mal? De modo algum. O mal não deve ser tolerado e sim combatido. A intolerancia é má, mas ao contrario não é a tolerância e sim a justiça e esta nos obriga a ser intolerante com muitas coisas como por exemplo a corrupção. Ademais, a tolerância tem significado clínico. Quando um paciente aumenta sua tolerancia a uma droga, necesita cada vez doses mais altas  para alcançar o mesmo efeito. Assim sucede com o comportamento dos desonestos. Para perceber, necesitamos cada vez mais e mais escândalos. Do contrário, não vemos. Não percebemos.
     Qual é a solução? Fortalecer o sistema imunitário social e suas defesas. Há remédios eficazes para isto. Primeiro, sem dúvida é o castigo exemplar. Segundo, promover o pensamento crítico. Criticar não significa atacar e sim separar  o joio do trigo, do estúpido do inteligente. O pensamento crítico exige o esforço de reflexão. Outro fortalecimento das defesas é a participação do cidadão. Por último a necessidade de defender um marco ético. A intolerância a conduta imoral deve ser total porque a mesma rompe  com a estrutura da convivência. Não é um mero detalhe. Herodoto relatou que quando morria o rei da Pérsia ficava suspenso durante  cinco días todas as leis. Eram cinco dias de horror, durante se cometiam as mais diversas tropelías. Era uma pedagogía sanguinária para ensinar ao povo que é viver sem lei.
      Afortunadamente vivemos no Estado de Direito, mas há que avisar que o direito é insuficiente para regular justamente a convivência.  Antes que seja esquecido há que mencionar um grande antídoto: repulsa social. O sistema imunitário orgánico isola o virus para que não expanda. Isto que debe fazer a sociedade. O desprecio social, o isolamento são terapias contundentes. No sentido contrario é a admiração, o aplauso, a proteção quem atua éticamente. A educação é a peça esencial de ataque.

Um comentário:

  1. Parabéns ! Concordo com o que vc escreveu aqui! E preciso que a população tome consciência e lute contra estas pessoas que corrompem nossa sociedade.

    ResponderExcluir