sexta-feira, 16 de março de 2012

Análise da conjuntura espanhola


    A crise econômica mundial desencadeada em 2008 pelo colapso da bolha do subprime, atinge em cheio  países como Grécia, Portugal, Itália e Espanha. A crise econômica se transformou ao longo do tempo em uma verdadeira crise social e política. As manifestações pacíficas e violentas dos trabalhadores, estudantes e camadas médias empobrecidas, insegurança no trabalho e os cortes na "área social"  são o resultado desta  maior crise na Europa pós-Segunda Guerra Mundial. Estamos já numa segunda onda de desaceleração económica onde chega em países como a França e também Alemanha, que são uma das locomotivas na Europa.
     Na Espanha, Bruxelas dá uma bronca no governo espanhol administrado pelos conservadores do Partido Popular. Nestas circunstâncias, o presidente Mariano Rajoy puxa sua estratégia preferida, que sempre funcionou melhor para sua carreira política: evitar possível choque, atordoar seus rivais, agir como se nada tivesse acontecido e ganhar o maior tempo possível.
      Depois da bronca de Bruxelas e interferência de fora para dentro da política econômica, em condições normais  e com um estilo político clássico de quem quer ganhar todos os debates, defender suas idéias e derrotar o seu adversário no Parlamento, onde é o berço da política, mas Rajoy é diferente. Não tem este estilo. Nada a ver com Aznar, Zapatero e muito menos Felipe Gonzalez. Rajoy é capaz de explicar a transição de 5,8% para 5,3% como um detalhe técnico.
       Rajoy está convencido, e sua carreira parece confirmar que está certo:  a memória das palavras dos políticos é frágil. Portanto, nada a reclamar que ele disse. Se as circunstâncias mudam, muda a história. Evita as batalhas que tão pouco gosta de enfrentar.

  A estratégia é muito eficaz principalmente contra seus rivais. Rubalcaba tentou morder: ele disse porque não criar um imposto sobre grandes fortunas ou patrimônio em vez tocar o corte da saúde. Longe de entrar no choque, Rajoy disse que está disposto a analisar essas propostas. Se enfrenta um presidente conservador  - como no tema do aborto e às vezes, um social-demócrata – como referente a impostos - e muitas vezes  a sua política ou ação é indefinida, onde é muito mais difícil de interpretar.  Além disso, quando a situação fica complicada, leva sempre o coringa na mão: a herança da administração anterior. A Izquierda Unida propõe soluções para a crise e aponta que a política realizada agora pelo campo conservador só  serve para realizar a execução da política do Bem Estar Social. Dia 29 de março é a greve geral na Espanha diante da reforma trabalhista que é um lixo como mencionou a Secretária do Programa da IU, Marga Ferré no III Curso de Formação Política da Izquierda Unida. O início de uma batalha. De uma pressão onde o governo espanhol já demarcou a posição que prosseguirá com as reformas ditado por Bruxelas. A primeira etapa de um conflito e uma esperança européia que em maio o Partido Socialista francês ganhe o pleito eleitoral onde François Holande reafirma a idéia de renegociar o tratado de austeridade assinado dia 02 de março por 25 dos 27 sócios europeus. Esta esperança vem porque a França é um país de muito peso político e económico dentro da Europa e que  o Velho Continente não poderá ignorar a posição política dos socialistas franceses caso ganhem o Eliseu.

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