segunda-feira, 30 de abril de 2012

Argentina, Petrobrás e suas consequências da expropriação da YPF


       Argentina ganhou a batalha da expropriação de YPF. As ditas represálias que o governo de Espanha estava para promover foi nada mais, nada menos que um blefe. Um dos ataques da Península seria o biodisel, do qual, Espanha daría prioridade a este combustível dentro da Comunidade Européia sobre extra-comunitário, mas terá efeitos muito limitados. Da mesma forma os produtos que  passam pela aduana que Espanha ameaçou  em eliminar o privilégio que Argentina tinha, só afeta 27% das vendas do país portenho na União Européia.   Mais a ameaça de negociar separado com os demais sócios do Mercosul acordos com a União Européia, deixando de lado Buenos Aires, provocou unidade dos vizinhos do país latino.
      
       Diante disso, o governo espanhol está consciente que os interesses económicos de Espanha na Argentina não se resume a Repsol e que a relação estratégica entre ambos os países passa pelos desacordos entre seus governos.  Por outro lado com esta ação do governo de Kitchner,  o país portenho demonstra que América Latina não está indiferente as privatizações e expropriações de gás e petróleo.  Em razão dos novos descobrimentos dos últimos anos países como  Brasil, Argentina, Venezuela,  a região consolida como segunda potência petroleira do mundo. Só perdendo para Oriente Médio.
      
         A Petrobrás tem sido modelo para os demais países da América Latina, do Estado controlando a exploração petrolífera.  Nos últimos campos descobertos,  a Petrobrás reforçou seu peso com um sistema de produção compartida  onde a empresa controla a produção, mas divide os trabalhos com empresas privadas.  Se trata de um sistema parecido em Venezuela, mas com um detalhe importante: enquanto a Petrobrás é aberto ao capital privado, a venezuelana PDVSA é 100% propriedade do Estado.
       
       Em 2020, Brasil poderá transformar em quarto produtor de petróleo só por detrás de países como Rússia, Arábia Saudita e Estados Unidos. A Petrobrás é a única empresa petroleira junto com os chineses e rusos que possui capacidade tecnológica e de investimentos parecido das grandes empresas internacionais.  Portanto, Argentina ganhou a batalha, mas saiu ferida. Dentro do médio prazo, a presidenta Cristina Kirchner adotará um provável discurso de atrair empresas que estejam comprometidas no compromisso do desenvolvimento da Argentina em razão que a YPF não tem tecnologia suficiente para explorar as jazidas como de Vaca Morta.  A pregunta que se faz: será que Brasil ou China ou Rússia investirão na parceria com YPF onde a qualquer momento a Argentina pode mudar as regras do jogo?
    
     E dentro do campo político que interpreta a expropriação de YPF, Chavez está debilitado políticamente em  decorrência da sua enfermidade. O provável desaparecimento político do presidente venezuelano já está deixando vazios e Kirchner pretende substituir  a liderança que Chavez exercia dentro do bloco de países identificados com a ideología do socialismo do século XXI. A expropriação da YPF é um passo importante para realizar esta liderança porque Chavez articulava lealdades e solidariedades a partir dos preços diferenciados de petróleo e do financiamento de obras que se executa em Bolívia como também na região de Caribe.

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