Argentina ganhou a
batalha da expropriação de YPF. As ditas represálias que o governo de Espanha
estava para promover foi nada mais, nada menos que um blefe. Um dos ataques da
Península seria o biodisel, do qual, Espanha daría prioridade a este
combustível dentro da Comunidade Européia sobre extra-comunitário, mas terá
efeitos muito limitados. Da mesma forma os produtos que passam pela aduana que Espanha ameaçou em eliminar o privilégio que Argentina tinha,
só afeta 27% das vendas do país portenho na União Européia. Mais a ameaça de negociar separado com os
demais sócios do Mercosul acordos com a União Européia, deixando de lado Buenos
Aires, provocou unidade dos vizinhos do país latino.
Diante disso, o governo
espanhol está consciente que os interesses económicos de Espanha na Argentina
não se resume a Repsol e que a relação estratégica entre ambos os países passa
pelos desacordos entre seus governos.
Por outro lado com esta ação do governo de Kitchner, o país portenho demonstra que América Latina
não está indiferente as privatizações e expropriações de gás e petróleo. Em razão dos novos descobrimentos dos últimos
anos países como Brasil, Argentina,
Venezuela, a região consolida como
segunda potência petroleira do mundo. Só perdendo para Oriente Médio.
A Petrobrás tem sido
modelo para os demais países da América Latina, do Estado controlando a
exploração petrolífera. Nos últimos
campos descobertos, a Petrobrás reforçou
seu peso com um sistema de produção compartida
onde a empresa controla a produção, mas divide os trabalhos com empresas
privadas. Se trata de um sistema parecido
em Venezuela, mas com um detalhe importante: enquanto a Petrobrás é aberto ao
capital privado, a venezuelana PDVSA é 100% propriedade do Estado.
Em 2020, Brasil poderá transformar em quarto produtor de petróleo só por detrás de países como Rússia, Arábia Saudita e Estados Unidos. A Petrobrás é a única empresa petroleira junto com os chineses e rusos que possui capacidade tecnológica e de investimentos parecido das grandes empresas internacionais. Portanto, Argentina ganhou a batalha, mas saiu ferida. Dentro do médio prazo, a presidenta Cristina Kirchner adotará um provável discurso de atrair empresas que estejam comprometidas no compromisso do desenvolvimento da Argentina em razão que a YPF não tem tecnologia suficiente para explorar as jazidas como de Vaca Morta. A pregunta que se faz: será que Brasil ou China ou Rússia investirão na parceria com YPF onde a qualquer momento a Argentina pode mudar as regras do jogo?
E dentro do campo político que interpreta a expropriação de YPF, Chavez está debilitado políticamente em decorrência da sua enfermidade. O provável desaparecimento político do presidente venezuelano já está deixando vazios e Kirchner pretende substituir a liderança que Chavez exercia dentro do bloco de países identificados com a ideología do socialismo do século XXI. A expropriação da YPF é um passo importante para realizar esta liderança porque Chavez articulava lealdades e solidariedades a partir dos preços diferenciados de petróleo e do financiamento de obras que se executa em Bolívia como também na região de Caribe.
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