Sempre existiu países
cujos líderes se comportam de uma maneira criminal. Na maioria das 193 nações
do planeta a desonestidade no uso do dinheiro público tem sido comuns. A corrupção é a norma e
estamos “acostumados” que assim seja. A suposição de que isto sempre foi e
sempre será dificulta captar o ascenso
de um novo ator na realidade mundial: os estados mafiosos. Não são os países
onde impera a corrupção ou onde o crime organizado controla importantes
atividades económicas e até regiões
completas. E, sim, se trata de países que o Estado controla e usa grupos
criminais para promover e defender seus interesses nacionais e os interesses
particulares de uma elite de governantes. Evidentemente esta prática não é
nova. Piratas e mercenários foram usados pela monarquia e, inclusive,
democracias como a dos Estados Unidos chegaram a recrutar a máfia para alcançar
seus objetivos. A exdrúxula decisão da CIA pagar a Máfia o assassinato de Fidel
Castro, em 1960, é sem dúvida o exemplo mais conhecido.
No entanto, nas últimas
duas décadas uma série de profundas transformações na política e economía mundial
impulsionou a aparição dos Estados mafiosos. Países em que os Estados tradicionais
de “corrupção”, “crime organizado”, não captam o fênomeno em toda a sua
complexidade, magnitude e importância. Nos Estados mafiosos, não são os
criminosos que capturaram o Estado através de suborno e a extorsão de funcionarios e sim o Estado que
tomou o controle da rede criminal. E,
não é para erradicar e sim para pôr a serviço e mais específicamente a serviço
dos interesse económicos dos governantes, seus familiares e sócios.
O Estado mafioso
moderno é um híbrido cuja condutas e
alcances ainda não entendemos. Em grande medida porque todavía não nos
damos suficiente conta da sua existencia.
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