quarta-feira, 9 de maio de 2012

Máfia a serviço do Estado


          Sempre existiu países cujos líderes se comportam de uma maneira criminal. Na maioria das 193 nações do planeta a desonestidade no uso do dinheiro público  tem sido comuns. A corrupção é a norma e estamos “acostumados” que assim seja. A suposição de que isto sempre foi e sempre será  dificulta captar o ascenso de um novo ator na realidade mundial: os estados mafiosos. Não são os países onde impera a corrupção ou onde o crime organizado controla importantes atividades económicas  e até regiões completas. E, sim, se trata de países que o Estado controla e usa grupos criminais para promover e defender seus interesses nacionais e os interesses particulares de uma elite de governantes. Evidentemente esta prática não é nova. Piratas e mercenários foram usados pela monarquia e, inclusive, democracias como a dos Estados Unidos chegaram a recrutar a máfia para alcançar seus objetivos. A exdrúxula decisão da CIA pagar a Máfia o assassinato de Fidel Castro, em 1960, é sem dúvida o exemplo mais conhecido.
       No entanto, nas últimas duas décadas uma série de profundas transformações na política e economía mundial impulsionou a aparição dos Estados mafiosos. Países em que os Estados tradicionais de “corrupção”, “crime organizado”, não captam o fênomeno em toda a sua complexidade, magnitude e importância. Nos Estados mafiosos, não são os criminosos que capturaram o Estado através de suborno e  a extorsão de funcionarios e sim o Estado que tomou o controle da rede criminal.  E, não é para erradicar e sim para pôr a serviço e mais específicamente a serviço dos interesse económicos dos governantes, seus familiares e sócios.
             O Estado mafioso moderno é um híbrido cuja condutas e  alcances ainda não entendemos. Em grande medida porque todavía não nos damos suficiente conta da sua existencia.

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