quinta-feira, 7 de julho de 2011

Problemas e desafios da esquerda européia

   Em cada eleição, a direita tem se expandido no mapa eleitoral em razão da crise. Existe uma percepção de que os políticos de direita são os melhores gestores para enfrentar a crise que se encontra, neste momento, na Europa. Deste modo, a sociedade européia coloca o atestado de incompetência na esquerda, pois em tempos difíceis, considera que quem tem a receita e a solução para combater a conjuntura econômica complicada, é direita. Em menos de três anos, apenas cinco dos 27 governos da União Européia tem um líder de esquerda: Espanha, Grécia, Eslovênia, Chipre e Áustria. Quais são os motivos reais da perda do terreno eleitoral? O mais evidente é o voto de castigo para os partidos que estão no poder, lideranças frágeis que contribuíram fundamentalmente para a pouca credibilidade dos partidos de esquerda. Exemplo disso, foi a não apresentação de uma proposta alternativa ideológica ao livre mercado, sem deixar de mencionar que muitos aderiram de uma forma acrítica ao mesmo. Como exemplo disso foi a Terceira Via, nos anos 90, que articulava o liberalismo financeiro com uma distribuição de riqueza através do Estado do Bem-Estar Social.
      Diante de tudo isto, um exemplo específico ou simbólico da derrocada da esquerda é a gestão de José Luiz Zapatero que será julgado por seus resultados econômicos e não por suas palavras. É possível vislumbrar, também, uma possível derrota do PSOE em março de 2012 nas eleições gerais. Um governo que não soube comunicar à sociedade espanhola a gravidade da crise. Um governo que aplicou medidas tímidas, errôneas e depois empregou uma receita que não era o seu traje ideológico. Pagou, politicamente, no dia 22 de maio e terá mais uma fatura eleitoral a pagar. Se prevê para o próximo ano, o início de uma nova e longa travessia ao deserto, no papel de oposição. Solução? A refundação. Nesta refundação seria necessário reflexionar o Estado do Bem-Estar Social, o câmbio climático, a proliferação de armas e regular os mercados. Será importante também ser mais atuante no mundo global e articular junto às instituições para regular o mercado. Os mercados não se auto-regulam e sim cometem abusos. Os mercados não se auto-equilibram e sim produzem bolhas imobiliárias e financeiras. As instituições como a ONU e o FMI, que existem há seis décadas, nao estão prontas para os novos desafios. Há que reformá-los!!! Dentro do atual contexto a esquerda tem que buscar uma bússula, ter um norte, diferenciar-se quando está no poder diante da direita. Há que adotar um movimento que faça empolgar o eleitorado, cativar dentro de uma linha como Sao  Francisco de Assis fez  no século XII introduzindo o elemento social na Igreja Católica. Oferecer uma nova energia diante da voragem capitalista que está em profundo questionamento, onde impera a ruptura do modelo produtivo e os efeitos sobre o emprego no processo de globalização da economia. 
    Diante de tanta incerteza e de um quadro sombrio que envolve os partidos de esquerda, o Movimento 15-M é um movimento social altamente positivo. A opinião pública pode não estar de acordo com os argumentos desse movimento em todas as questões mas, no entanto, o importante é destacar o que há em comum como: reformas políticas, mais democracia, o questionamento de onde está o poder e de qual é a capacidade do Estado para enfrentar os mercados, assim como quais são os mecanismos da democracia representativa para enfrentar os processos globais. Enfim, estamos diante de uma importante discussão, se realmente a esquerda conseguirá ou não sair deste difícil processo em que se encontra.

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