sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Análise de conjuntura dos países envolvidos na crise

         As decisões que devem ser tomadas para solucionar os problemas da sociedade européia se assemelham a uma visita ao dentista. Necessárias, mas nada cômodas ou confortáveis. A mensagem de Sarkozy enviada com florentina sofisticação diz muito: “Se não resolvemos o problema da crise, o povo irá às ruas rebelar-se”.
  Dito isto, e como vem mantendo a tradição, a França perde a guerra, mas busca salvar a honra. De fato, o projeto europeu é um milagre político. Os Estados Unidos para terem uma união política e monetária enfrentaram uma guerra civil.
 O euro deu sentido ao mercado único. Além disso, o objetivo do nascimento da  União Européia era não repetir as guerras. Nos cenários dos países chaves, a Alemanha resiste a uma maior integração econômica. Muito é criticada. No entanto, não pode ser esquecido que no passado, a França resistia a uma união política de caráter federal. Diante desta crise, a aliança tradicional entre Reino Unido e EUA está sofrendo mudanças. O Presidente Obama está preocupado com a estabilidade da zona euro e interessado no que está se passando em Londres. David Cameron está tendo "fortes dores de cabeça" com os radicais do seu próprio partido que desejam sair da União Européia. Inclusive há um debate de um referendum para sair ou não da zona euro. Estes Tea Party britânicos podem ser mais perigosos que seus primos americanos.
 A reunião que se realiza em Bruxelas desde ontem à noite tem o foco de salvar o euro e por extensão a União Européia. Qualquer plano que façam, incluirá medidas como: uma união fiscal dentro da zona euro e uma integração das políticas econômicas. Isto exigirá mudanças nos tratados que serão ratificados pelos estados membros ou melhor, diga-se de passagem, por todos os estados membros. De todo modo, se não há acordo com os 27 países, este se dará com 17. A pergunta que se faz é esta: Estas mudanças solucionarão todos os problemas da crise e da construção européia?  Tudo indica que não. Assim, sem a capacidade de avanços, a Europa poderá dentro da geopolítica  mundial ou realpolitik, ficar irrelevante no cenário internacional.

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