Já dizia Jean Paul
Sarte que uma imagem não é uma coisa e sim um ato. A frase me parece uma
verdade essencial em uma sociedade que a representação expulsa qualquer
reflexão sobre o sentido da existência. Todos estamos condenados a ser atores de um roteiro que outros escrevem
A grande
contradição do nosso tempo é que fomos educados
em uma cultura da responsabilidade, produto dos valores religiosos que
imperou no Brasil e agora temos que sobreviver em uma sociedade tiranizada pela
imagen e das aparências onde qualquer discurso volta-se incompreensível se não
se transforma em espetáculo.
Em um mundo que
a religião é um vestigio estamos
condenados a uma banalidade sofrível e angustiante. Se Deus está morto, como
dizia Nietzche, o homem se transformou em verme a mercê do cego azar, segundo
sinalizava Richard Dawkins em um debate com o arcebispo Canterburry. No
entanto, o ser humano necessita um pouco de transcedência que contribua um
sentido a sua vida. Nos rebelamos contra uma existência animal em que somos um
insignificante dentro da escada da evolução e temos uma tendência a pensar que
nossa vida tem que ter algum sentido.
Por isto que caminhamos
para a arte, a ciência, a literatura. Algo que faz dar uma ressonância a nossas
misteriosas vibrações interiores e que eleva por cima das misérias cotidianas .
Escrever também tem o intuito de escapar a uma tirania do azar que nos destrói.
Saudades dos
tempos passados que os seres humanos podiam sonhar que lutavam por um mundo
melhor. Hoje não é possível ter ideais em uma sociedade desgarrada pela lógica da
rentabilidade económica e a supremacía de um espetáculo em que todo ato se
reduz a uma mera imagem.
Não cabe
terminar, portanto, falar nos términos de verdade ou mentira e sim de pura
representação. O que conta não é que se faz ou o que pensa e sim o que se diz .
O que cada um parece diante dos demais. A aparência é a lei suprema que rege
nossas vidas.
Isto é
especialmente perceptivel na política em que ninguém está disposto a assumir as
consequências de seus atos. A construtora Andrade Gutierrez joga a culpa ao
Banrisul, os militares adotam cortina de fumaça para tirar a responsabilidade
das suas atuações no tempo da ditadura. O prefeito Fortunatti atua como se a
sua gestão não tivesse nada a ver com o abuso de preço da passagem de
transporte público em Porto Alegre, os empresários demonizam os sindicatos e os
sindicatos aos empresários.
Nada mais
coerente em uma sociedade que o importante é a imagen, que carece de valores e
que jamais conseguiu interiorizar que supõe uma democracia. Em suma, uma
sociedade que não confía em si mesma porque confunde o que parece com que é. A
tarefa essencial do nosso tempo é encontrar os principios que conferem um pouco
de sentido e de motivação a nossas vidas, mas isto é muito em pedir quando
cinco minutos de celebridade valem mais que qualquer utopia!!
No Direito consuetudinário(costume)valia a palavra e "fio do bigode", parece que esse princípio perdeu seu valor, ninguém quer assumir nada até para não se responsabilizar pelo que de dever já está enquadrado, por isso a superficialidade das coisas. Toda via devemos continuar lutando para que voltem os princípios como regramento dos contratos e enfim do dia a dia das pessoas.
ResponderExcluirObrigado pela mensagem, Luci e com toda razão o teu comentário.
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